Marketing de Guerrilha: descobre o Che Guevara em ti e ganha coragem

Exemplo de Marketing de Guerrilha

Não passa pela minha cabeça que, após lerem este título, agarrem na arma mais próxima e organizem um grupo de amigos de forma a se aventurar nas matas. Estava apenas a ouvir uma música de cariz reaccionário quando me surgiu a ideia de escrever sobre marketing de guerrilha que, ao contrário do que se possa pensar, não envolve violência.

Todos para a selva

Este nome não surge por acaso no seio das estratégias de marketing. Aliás, uma guerrilha não é mais do que um exército armado, organizado tacticamente que, em inferioridade numérica e tecnológica, inicia combate com um adversário em muito superior em número, tecnologia e recursos. Para além da coragem necessária para iniciar um conflito em que, desde logo, se parte em desvantagem total em relação ao inimigo, é necessário um planeamento estratégico muito cuidado das acções a tomar, de forma extremamente calculada, dado que também os recursos da guerrilha são escassos. Normalmente, em termos de conflito armado, as guerrilhas têm o apoio das populações locais, sendo que o seu aparecimento surge, maioritariamente, por oposição a regimes totalitários que, de alguma forma, subjuga a vontade do próprio povo. O mais famoso guerrilheiro de todos os tempos foi Ernesto “Che” Guevara, revolucionário Argentino que lutou pelos seus ideais até à morte nas selvas Bolivianas. Ao longo do seu percurso de vida, enquanto guerrilheiro, a sua estratégia assentava nos seguintes pontos:

  1. Juntar um pequeno exército que abraçasse a sua causa;
  2. Com os poucos recursos, e através do seu génio inventivo, armar-se como podia;
  3. Fazer ataques rápidos e eficazes de forma a manter o elemento surpresa e causar os maiores danos no menor tempo possível;
  4. Através das suas vitórias conquistar a simpatia do povo, o que se traduzia em mais indivíduos a juntar-se ao seu exército.
  5. Lutar sempre pelo mesmo ideal e incutir a moral nas tropas para continuar a batalha. “Hasta la Victoria, siempre”

Levar a guerra até à cidade

Pegando nestes pontos-chave e no conceito geral de fazer a “guerra” com poucos recursos, o marketing de guerrilha tem ganho, ao longo dos tempos, cada vez mais adeptos. Pegando no mesmo conceito, a sua estratégia baseia-se, então, nos seguintes princípios:

  1. O primeiro ponto-chave é a redução de custos. Através de uma estratégia de custos reduzidos é possível, a qualquer organização, implementar uma campanha de marketing de guerrilha.
  2. Conceber uma ideia original e aplicar uma estratégia de comunicação, normalmente, inovadora, que promova a discussão e o chamado boca-a-boca (Word of Mouth).
  3. O efeito surpresa causado no público-alvo da campanha de comunicação irá gerar a discussão e a conversa, desviando as atenções para a sua campanha, o que irá causar danos na quota de mercado da concorrência, sendo este o equivalente ao ataque surpresa da guerrilha convencional.
  4. O Word of Mouth irá ser o responsável por juntar mais “aliados” à sua causa, gerando um grupo de indivíduos que serão os “defensores da causa”, que através das novas tecnologias irão disseminar a palavra, juntando à campanha de comunicação uma estratégia de marketing viral, disseminando com custos reduzidos ou mesmo nulos toda a informação que a organização pretende passar.
  5. Através da manutenção da “causa” a estratégia de marketing de guerrilha pretende agora manter os seus defensores, formando uma comunidade que irá actuar no mercado por si, disseminando a sua missão. Esta comunidade precisa de ser apoiada e “instigada” pela organização de forma a manter-se activa e angariar novas “tropas”.

Como sabemos, tudo isto é muito mais fácil de dizer do que fazer. Os meios de comunicação já são imensos, a própria atenção dos consumidores encontra-se espalhada por um grande número de ferramentas e de canais de comunicação, o que torna cada vez mais difícil fazer uma comunicação eficaz e, ainda mais difícil, manter a fidelização do cliente com uma concorrência constantemente activa e um cliente cada vez mais informado. Difícil não quer dizer impossível, e é esse o mote de existência dos guerrilheiros quer no sentido armado, quer no sentido de marketing.

O equipamento básico de sobrevivência

Os conceitos chave em marketing de guerrilha acabam por ser 3: custos baixos, originalidade de comunicação, disseminação da mensagem.

São já imensas as empresas que apostam especificamente neste tipo de campanhas e neste tipo de estratégias. São vários os exemplos, basta fazer uma pesquisa na internet, de acções de comunicação originais que promovem o Word o Mouth através dos mais variados canais de comunicação. De forma a disseminar este boca-a-boca destaco a internet como veículo principal. Por ser o mais barato de utilizar, por ser o mais utilizado, e por ser aquele que o consumidor utiliza, de forma diária, para fazer passa a mensagem.

Os custos reduzidos são extremamente apetecíveis por todos. Para uns significa a única forma de fazer passar a sua mensagem dada a escassez de recursos. Para outros significa uma campanha de comunicação mais barata e, logo, uma maior margem de lucros. Em comum têm o facto de ser também a estratégia de marketing que mais facilmente, quando bem implementada, cria uma comunidade de consumidores fiéis. Como sabemos, hoje em dia, é mais fácil (mas também mais rentável) fidelizar clientes antigos do que descobrir novos.

Vitória fácil?

Não, o marketing de guerrilha não é uma galinha de ovos de ouro e não se faz de um dia para o outro com meia dúzia de tostões no bolso. Uma das maiores críticas apontadas a esta vertente de marketing é a sua permanência na mente do consumidor. Quando bem implementada a campanha de comunicação atinge o seu pico no estado inicial através do fomento da curiosidade causado pela originalidade da comunicação. No entanto, com o passar do tempo, se não houver uma constante revitalização da forma de passar a mensagem, esta torna-se maçadora, perde o fulgor de ser novidade, e a atenção do consumidor acaba por diminuir, desvanecer e, por fim, desaparecer.

Não é certo, porém, dizer que o sucesso de uma campanha de marketing de guerrilha, que assenta principalmente o seu pilar na comunicação, é efémero. Afinal de contas, os benefícios de qualquer campanha de comunicação de sucesso são adquiridos a partir do momento em que essa mesma campanha atinge os seus objectivos. No entanto, após essa meta atingida, é trabalho do gestor de marketing fazer a manutenção e o acompanhamento desses resultados, de forma manter viva a comunidade de “defensores da causa” que se conseguiu criar.

Outra crítica apontada ao marketing de guerrilha é que nem sempre cria boas comunidades. Querem um exemplo? Quantos teasers ou trailers de filmes é que já não vimos, em que no final a nossa expressão foi “WOOW! Quero mesmo ver isto”, e depois de ver o filme dissemos “valia mais ter ficado em casa”. O mesmo se passa com algumas campanhas, em que nem tudo o que parece, realmente, é. Quem perde acaba por ser a organização que implementa a campanha de forma errada e obtém Word of Mouth negativo. Em vez de culpar directamente a o marketing de guerrilha, o marketeer tem por obrigação fazer um estudo exaustivo da aplicação dessa estratégia e ponderara todos os prós e contras antes de a implementar (é por isso que e acho que não é só o treinador do Benfica que tem as culpas dos resultados).

Marketing de guerrilha não é tudo o que é original. Saber combinar a originalidade com custos reduzidos é uma tarefa difícil, e por isso cada vez mais aparecerem empresas especializadas na área. Saber criar o Buzz (burburinho) é apenas um passo de toda uma estratégia. Há que saber implementá-la, mantê-la e actualizá-la.

Mudança (não verificado) on Setembro 16th 2008

Belo marketing isso ai
engraçado em partes

abraços
Guilherme
www.somudancasmg.com.br

Transportadora (não verificado) on Janeiro 26th 2009

Poxa muito interessante
fiquei na duvida do cafe
se é uma plotagem ou se é a mulher mesmo!
abraço!

Lesley Fernandes (não verificado) on Abril 16th 2009

Parabéns pelo blog, o adicionei aos favoritos.

Abraço