Quais os benefícios da internet para o profissional de marketing

Internet? O que é? Para que serve? Como pode o Marketeer tirar benefícios da internet? E como se pára a calvície masculina? Embora não consiga responder a esta ultima questão, vou tentar abordar todas as outras de forma sucinta.

Desde os pequenos comerciantes até às grandes empresas todos os sectores comerciais recorrem à internet para difundir a sua mensagem, os seus produtos, as suas ideias, o seu conceito, pesquisar por informação enfim, impulsionar o seu próprio negócio. Assim sendo convém começar por explicar, afinal, o que é a internet (através da qual não conseguiria estar a ler este mesmo artigo), o que é marketing (não, não é publicidade), como se relacionam, e posteriormente tirar daí ilações.

Afinal o que é a internet?

Sem entrar em muitos detalhes, a internet surgiu pela primeira vez em meados da década de 60, em plena guerra fria, quando os Estados Unidos da América (EUA) criaram uma rede de sistemas informáticos que permitiam a troca de informação entre os vários computadores das suas bases militares. A internet, como a conhecemos hoje, surgiu pelas mãos de Tim Berners-Lee, britânico, que adaptou este conceito de defesa norte-americano à criação de uma rede de computadores à escala mundial que interligasse universidades e centros de pesquisa científica dando origem à world wide web (www), ou seja todo o elemento multimédia visual e auditivo disponível na rede.

Podemos definir, assim, a internet como uma rede de computadores interligados à escala mundial, que permite a troca de informação e a transferência de dados à escala global.

Temos, então, acesso a mais um meio de divulgação de informação que rivaliza ao mesmo tempo com os tradicionais meios de comunicação (jornais, rádio, televisão, etc). Se os vai substituir a todos num futuro próximo, é outra história. O que interessa aqui é reconhecer a sua existência, a importância que esta tomou ao longo dos tempos nas vidas de todos aqueles a que a ela têm acesso, e perceber a sua importância para o profissional de marketing.

E os números?

O número de utilizadores de internet à escala mundial centra-se agora em cerca de mil milhões de pessoas, ou seja, um aumento de mais de 300% em relação ao ano 2000, quando este número rondava os 360 milhões de utilizadores. Em cerca de 8 anos o número cresceu de uma forma fantástica demonstrando que, para além das regiões mais desenvolvidas aumentarem a sua taxa de utilizadores de forma crescente, as zonas do globo mais frágeis e menos desenvolvidas tiveram um aumento da taxa de penetração de internet, nalguns casos, superiores a 1000%! E este número não pára por aqui. O desenvolvimento económico de alguns países na última década, a abertura de outros em relação ao ocidente (e à democracia), o desenvolvimento da tecnologia que permite, cada vez mais, criar plataformas de acesso à internet mais rápidas, mais eficientes em termos energéticos, e mais baratas fazem com que estejamos, nesta altura, a viver uma transformação tecnológica e social sem precedentes. As mulheres na Internet também se emanciparam e são agora uma força imparável. Infelizmente toda esta tecnologia não serviu, ainda, para descobrir a cura para a calvície masculina!

Ok, já sabemos o que é a Net. E marketing é?

Então como se enquadra tudo isto em marketing? Bom, definindo primeiro o conceito segundo o guru Philip Kotler, marketing é "o processo de planificação e execução da estratégia de conceptualização, promoção, estabelecimento de preço e distribuição de ideias, bens ou serviços que, através de um processo de troca, satisfaça objectivos individuais e/ou organizacionais das partes envolventes" (é depois de definições destas que se faz a vénia a este senhor). Achei importante colocar esta definição porque, ainda nos dias de hoje, e muito infelizmente, existem alguns empresários, gerentes e homens de negócio, para quem o marketing é, apenas e só publicidade, subvalorizando todo um processo estratégico de longo prazo que requer uma planificação contínua ao longo do tempo, com constantes revisões e actualizações. Para quem pensa assim gostaria de deixar apenas uma nota: a falta de informação sobre este tema em particular leva, principalmente, à falta de competitividade e à estagnação do vosso negócio. Mas em tempo oportuno retornarei a esta matéria.

Para atingir os seus objectivos, os profissionais de marketing socorrem-se de inúmeras ferramentas adaptadas a cada situação, a cada negócio, e principalmente a cada objectivo que pretendam atingir. O próprio conceito, aliás, não é consensual (no mundo académico circulam várias e diferentes definições do conceito de marketing, sendo esta de Kotler apenas uma delas). Já muitos ouviram falar em diferentes conceitos como marketing relacional, marketing sensorial, telemarketing, marketing de guerrilha…e Internet Marketing. No fundo todos estes conceitos, todas estas vertentes de marketing, têm o mesmo objectivo: levar a ideia, a mensagem, o conceito e o produto (ou serviço) que o fornecedor providencia até ao seu cliente-alvo, de forma a satisfazer as necessidades a que o primeiro se propõe.

Internet + Marketing = desafio

Primeiro gostaria de salientar que a internet, e portanto o denominado Internet Marketing, não pode ser considerada uma estratégia marginal, independente da planificação de marketing de um qualquer negócio. O Internet Marketing (também conhecido como Marketing Online/Web Marketing/Marketing Digital), bem como todas as vertentes de marketing que existem (e não são poucas) são ferramentas ao serviço do exercício do plano de marketing anteriormente desenhado. Não é possível, por exemplo, uma empresa decidir se vai usar uma estratégia de marketing ou uma estratégia de Internet Marketing no seu negócio porque, ao estar a usar uma estratégia de Internet Marketing, parte-se do principio que esta foi a ferramenta escolhida como forma de implementação de toda a sua estratégia. Isto suscita-me uma certa curiosidade quando vejo artigos (académicos ou não) em que o tema dominante é a comparação de marketing com, neste caso especifico, Internet Marketing, quando um não existe sem o outro, e quando um é dependente do outro. Marketing é o planeamento, é a estratégia, a sua implementação, análise de resultados e reformulação ao longo do tempo, enquanto o Internet Marketing é uma das muitas ferramentas para a sua execução.

Voltando ao tema principal deste artigo, cabe-me então falar sobre a importância da internet para o marketeer, ou seja, o profissional de marketing. Ao marketeer cabe a difícil tarefa de decidir quais os meios, os veículos de comunicação, e a estratégia a utilizar para fazer passar a mensagem para o seu público-alvo. Num passado recente, os meios de comunicação seriam, maioritariamente, a imprensa, a televisão, a rádio, o correio, ou os outdoors, não necessariamente por esta ordem (e aqui sim, entra então a publicidade como ferramenta de marketing). A escolha entre cada um destes meios de comunicação (em massa) era feita tendo em conta o público-alvo a atingir, os recursos, principalmente financeiros, de que se dispunha para a campanha, a mensagem, o tipo de discurso, enfim toda uma série de variáveis (que ainda hoje servem de base quando se equaciona a campanha de comunicação). A principal vantagem é que hoje assistimos à solidificação de um meio de comunicação, divulgação e informação predominante, com muito mais potencial que os anteriores (derivado da interactividade possível entre fornecedor-cliente a titulo individual e/ou colectivo), em constante penetração social e com o aumento de números de utilizadores mais rápido da história dos meios de comunicação.

O leque de possibilidades de divulgação da mensagem não é estático: e-mail direccionado, buzz criado, redes sociais dedicadas, sites interactivos, ou mesmo sinergias entre vários meios de comunicação (como anúncios, ou spots televisivos que remetem para um site de internet), acesso fácil e possibilidade de interacção directa entre fornecedor e cliente através de chats ou outras formas de comunicação directa, enfim um enorme leque de possibilidade abriu-se com o aparecimento da internet, que deve ser usada pelo marketeer de forma a conhecer, inquirir, compreender, criar laços, satisfazer e por fim fidelizar o seu publico-alvo. É, nesta altura, um dos melhores veículos de implementação estratégica do plano de marketing (embora não possa ser generalizado, nem aplicado a todos os casos e a todos os negócios), sendo um veículo de propagação de informação rápido, fácil, directo, com milhares de utilizadores em todo o mundo, e com um enorme potencial de (ainda maior) crescimento.

Em resumo…

A vantagem, para o marketeer é ter na internet um veículo de comunicação constante (ligada 24 horas por dia todos os dias), com capacidade de actualização rápida de informação (ao contrário da imprensa tradicional, e com menos custos associados), capaz de chegar rapidamente e de forma directa ao consumidor, e com capacidade de manutenção da relação fornecedor-cliente de forma contínua, rápida, eficaz e com uma mais rápida (nalguns casos em tempo-real) monitorização de todo o processo e de toda a estratégia adoptada.

Como nem tudo é um mar de rosas (onde seria difícil nadar com tanto espinho), e não existem ferramentas perfeitas, a internet tem como desvantagens o acesso a produtos físicos (uma das grandes queixas da industria do mobiliário, por exemplo, é de que é difícil através da internet divulgar toda a qualidade dos seus produtos), a dificuldade de implementação de marketing relacional (que, convenhamos, não é a mesma coisa feita através de um chat ou de o recurso a uma webcam), ou a dificuldade também de certas indústrias, dadas as características dos seus produtos como o caso dos perfumes, por exemplo, não ser capaz de passar a mensagem que pretendem devido às limitações tecnológicas.

Enfim, o planeamento e a implementação de um plano de marketing requerem muitas tomadas de decisão, muita estratégia e conhecimento prévio daquilo que se pretende, dos objectivos a que a empresa se propõe e das suas limitações e ambições. É, no entanto, inegável que, para qualquer negócio sobreviver, a sua mensagem tenha de chegar ao público que pretende atingir, pelo menos que consiga ser encontrada num mar de informação cada vez maior (e, de preferência, de forma a que este tome consciência de que as suas necessidades irão ser satisfeitas).

A internet, por tudo o que já foi dito, é hoje uma ferramenta indispensável no trabalho do marketeer. Resta-lhe a ele saber como a utilizar, em que grau (com maior ou menor preponderância no seu plano de comunicação), e como o fazer.

Tópicos: 

Comentários

Ola Ivan,

Estava a ler o post e a pensar "o José desta vez fez um post exteeeeenso".
Quando depois verifiquei que o post foi escrito pelo Ivan e não pelo José.

Parabéns pelo conteudo. Muito bom mesmo.

Abraços para todos,
AF

Adicionar novo comentário